Escritos
PESSOAL

Por que eu escrevo

Pensar em público me tornou um líder e um atleta melhor.


Eu adiei isso por anos. Tinha um documento chamado “ideias de blog” com trinta linhas e zero posts. A desculpa era sempre a mesma: falta de tempo, falta do tema perfeito, falta de certeza. A verdade é que eu tinha medo de escrever algo errado em público.

Decidi começar mesmo assim. E o motivo é simples: escrever me força a pensar direito.

Texto é o melhor detector de furo

Na minha cabeça, quase toda ideia parece coerente. No papel, metade desmorona na terceira frase. Quando preciso transformar uma intuição em parágrafo, eu descubro onde o raciocínio tem buraco, onde estou repetindo jargão sem entender, onde a conclusão não segue da premissa.

Lidero engenharia e produto há mais de dez anos, e a parte mais difícil do trabalho nunca foi técnica. Foi alinhar pessoas em torno de uma decisão. E percebi que os documentos que eu escrevia bem geravam discussões melhores. Quando o texto está afiado, a reunião dura quinze minutos em vez de uma hora.

Se você não consegue escrever a ideia em um parágrafo claro, você ainda não entendeu a ideia.

O que liderar tem a ver com escrever

Boa parte da liderança hoje é assíncrona. Um RFC, um post no canal, um comentário em PR. O time não lê a minha intenção, lê as minhas palavras. Escrever em público é treino para isso: você aprende a antecipar a dúvida do leitor, a cortar o supérfluo, a defender uma posição sem se esconder atrás de “talvez” e “depende”.

Algumas coisas que mudaram desde que levei a escrita a sério:

  • Minhas decisões ficaram mais rastreáveis — eu deixo o porquê registrado, não só o quê.
  • Passei a discordar de forma mais útil, porque preciso construir o argumento, não só reagir.
  • Ganhei coragem de mudar de ideia em público, o que é mais barato do que defender o ego.

Até no triatlo isso ajuda

Pode parecer exagero, mas escrever melhorou o meu treino. Estou me preparando para o meu primeiro Ironman 70.3 no Rio, em 9 de agosto de 2026, e comecei a registrar cada semana: o que funcionou, onde furei a dieta, por que a tiragem de bike foi ruim na quarta.

Quando escrevo o treino, paro de mentir para mim mesmo. O número não negocia. A sensação de “pedalei forte” vira “fiquei 8 minutos acima do limiar e paguei o preço no longão de domingo”. Esse hábito de ser específico no texto é o mesmo que me faz líder melhor: trocar a impressão pela evidência.

O que você vai encontrar aqui

Este é o primeiro post, então deixo o combinado. A intenção é publicar sobre três frentes:

  1. Tecnologia — decisões de engenharia e produto, o que deu certo e, principalmente, o que deu errado.
  2. Esporte — bastidores honestos da preparação para o 70.3, com números reais e furadas incluídas.
  3. Bastidores — como eu penso sobre carreira, time e os hábitos que sustentam tudo isso.

Não espere fórmula mágica nem thread motivacional. Espere opinião, exemplo concreto e, de vez em quando, um erro meu documentado com nome e sobrenome.

Se algo aqui te fizer pensar, ou discordar com vontade, melhor ainda. É exatamente para isso que estou escrevendo em público.